"Indaga-me se os seus versos são bons. Pergunta a mim, depois de ter perguntado a várias pessoas. Manda-os para as revistas, compara-os a outros versos e alarma-se quando certos jornais repelem os seus ensaios poéticos. Doravante, peço-lhe que renuncie a tudo isto. O seu olhar está voltado para o exterior. Eis o que não deve tornar a acontecer. Ninguém pode dar-lhe conselhos nem ajuda-lo - ninguém! Só existe um caminho: penetre em si mesmo e procure a necessidade que o faz escrever. Observe se essa necessidade tem raízes nas profundezas do seu coração. Confesse à sua alma: "Morreria, se não me fosse permitido escrever?" Isto, principalmente. Na hora mais tranquila da noite, faça a si esta pergunta: "Sou de fato obrigado a escrever?" - Examine-se a fundo, até achar a mais profunda resposta. Se ela for afirmativa, se puder fazer face a tão grave interrogação com um forte e simples "Sou", então construa a sua vida em harmonia com esta necessidade. A sua existência, mesmo na hora mais indiferente e vazia, deve torna-se sinal e testemunho de tal impulso."
- Rainer Maria Rilke. Cartas a um jovem poeta.
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